Seminf movimentou mais de R$ 81 milhões por mês sob gestão de Renato Junior, mas ruas de Manaus seguem esburacadas

Dados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária expõem gastos bilionários com infraestrutura urbana em 2024, enquanto aumentam as críticas sobre a qualidade das obras executadas na capital.

Por Luiz Reis da Redação do Portal 92amz

Manaus- Uma reportagem publicada pelo Portal D24am voltou a colocar em debate os altos investimentos feitos pela Prefeitura de Manaus na área de infraestrutura durante a gestão de Renato Junior à frente da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf). De acordo com o Relatório Resumido da Execução Orçamentária, a pasta administrou uma média superior a R$ 81 milhões por mês, somando mais de R$ 1,1 bilhão em despesas apenas no ano de 2024.
Mesmo diante do orçamento bilionário, moradores de diversos bairros seguiram enfrentando problemas como buracos, ruas deterioradas e serviços de asfaltamento considerados precários. A atuação da Seminf acabou sendo alvo de críticas tanto da população quanto de parlamentares, que questionaram a qualidade das obras executadas e a efetividade dos investimentos realizados na capital amazonense. Confira a matéria abaixo.
O Relatório Resumido da Execução Orçamentária, documento que a Prefeitura de Manaus é obrigada, por lei, a publicar todo final de janeiro no Diário Oficial do Município, aponta que ex-secretário da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e atual prefeito, Renato Junior, controlou, em sua gestão, um orçamento médio mensal de mais de R$ 81 milhões. Somente em 2024, os gastos com infraestrutura urbana totalizaram R$ 1,115 bilhão.
Entre 2022 e 2025, quando comandava a Seminf, Renato gastou cerca de R$ 3,961 bilhões com infraestrutura urbana e, ainda assim, manteve a incapacidade de resolver os problemas das vias de Manaus, que continuam com ruas esburacadas e péssimo asfalto em grande parte da capital.

Os dados do Relatório apontam ainda que apenas em 2025, a administração municipal destinou R$ 1,019 bilhão para a denominação “Função: Urbanismo; Subfunção: Infraestrutura Urbana”. O item “Infraestrutura Urbana” refere-se a ações voltadas à construção, à manutenção e à melhoria física das cidades.
O ano de 2024 foi o de maiores gastos com infraestrutura urbana, totalizando R$ 1,115 bilhão.

Apesar dos valores bilionários, a gestão de Renato Junior na Seminf não conseguiu melhorar as vias da cidade e foi alvo de críticas da população e de parlamentares, que apontaram a deficiência na qualidade dos serviços asfálticos.

Em julho de 2025, devido à polêmica em torno dos gastos, chegou a ser apresentado na Câmara Municipal de Manaus (CMM) um pedido de CPI. A CPI dos Buracos tinha como objetivo investigar a execução de obras de recapeamento, asfaltamento e manutenção viária realizadas na capital, além da aplicação de recursos públicos, dos contratos com empresas prestadoras de serviço e de possíveis irregularidades relacionadas ao programa “Asfalta Manaus” e a demais intervenções complementares, como drenagem, instalação de meios-fios e construção de calçadas. A proposta não foi adiante.
Ajuda
Na semana passada, o prefeito Renato Junior pediu ajuda ao governador Roberto Cidade para asfaltar as ruas de Manaus. Um pedido fora de compasso, vistos os valores que o ex-chefe da Seminf teve à disposição para cuidar da infraestrutura urbana.
Em resposta, Cidade reagiu: “O Estado do Amazonas faz a sua parte com a prefeitura; o que falta é gestão”, disparou o governador.
Roberto Cidade apresentou dados da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), destacando o volume massivo de recursos transferidos para os cofres municipais nos últimos anos. Segundo o governador, entre 2019 e 2026, a Prefeitura de Manaus recebeu quase R$ 18 bilhões provenientes de cotas-partes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
“O Estado já mandou mais de R$ 17 bilhões para a Prefeitura de Manaus. Somente em convênios específicos para asfalto, foram quase R$ 200 milhões. O prefeito prometeu asfaltar dez mil ruas, mas não cumpriu”, afirmou Cidade.
