Esquema de procurações falsas ameaça segurança fundiária de 13 mil moradores em Santarém
Investigação aponta atuação de grupo que teria utilizado documentos falsificados para negociar áreas nos bairros Uruará e Área Verde, gerando insegurança entre famílias da região.

Da Redação do Portal 92amz (92)98151-7280
Por Luiz Reis

Santarém- O Portal O Impacto destaca em sua chamada de capa um caso que tem causado apreensão entre moradores de Santarém, no oeste do Pará. A reportagem revela um suposto esquema de falsificação de procurações utilizado para negociar irregularmente em áreas localizadas nos bairros Uruará e Área Verde, afetando cerca de 13 mil moradores da região. A investigação aponta que o corretor de imóveis Ricardo André Pinto da Silva, juntamente com seu irmão Edson Luiz Pinto da Silva e outros integrantes do grupo, teria articulado um esquema interestadual de falsificação de documentos para intermediar a venda de terrenos que pertencem ao cidadão português João Vasco Pinheiro Marques Pinto. A denúncia levanta questionamentos sobre a segurança jurídica das propriedades e acende o alerta para possíveis vítimas do golpe.
– O Modus Operandi: a rota Minas-Brasília-Santarém
A fraude em Santarém não é um caso isolado, mas a reprodução fiel de um esquema desarticulado pelo Ministério Público em Minas Gerais e Goiás. A digital do crime é idêntica: o grupo de Ricardo André utilizou o 1º Ofício de Notas de Montalvânia (MG) e o 4º Ofício de Notas do Distrito Federal para lavrar procurações e substabelecimentos falsos.
Em Minas Gerais, esses mesmos cartórios foram alvo de operações por “ressuscitar” mortos e criar donos fictícios para terras alheias. Em Santarém, a quadrilha foi além: tentaram “matar” o verdadeiro dono. Enquanto os invasores sustentavam que o português João Vasco havia falecido, os advogados do proprietário apareceram vivos e ativos na Polícia Civil de Santarém, protocolando um inquérito em fevereiro de 2026 para apurar o uso de documentos falsos e até a falsificação do CPF do português.
13 mil pessoas sob risco de despejo
O impacto social é devastador. Caso o proprietário português retome a área judicialmente, todas as escrituras emitidas com base nos documentos falsos de Ricardo André e da prefeitura de Santarém, podem ser canceladas. Isso significa que cerca de 13 mil moradores dos bairros Uruará e Área Verde, que acreditavam estar em terrenos legítimos, podem descobrir que seus títulos não passam de papéis sem valor legal.
O prejuízo atinge inclusive gigantes do mercado. A multinacional Atém, do setor de combustíveis e a EMBRAPs do setor graneleiro são duas de algumas das grandes empresas que teriam adquirido áreas com base em documentação viciada fornecida pelos grileiros, figurando agora como uma das potenciais prejudicadas pela fraude da quadrilha.
A “ressurreição” de João Vasco e o inquérito policial
O castelo de cartas começou a ruir em 13 de fevereiro de 2026, quando a Delegacia Especializada em Conflitos Agrários de Santarém, instaurou uma Portaria que investiga um “complexo esquema criminoso de grilagem mediante usurpação possessória e falsificação de documentos públicos”.
Os advogados de João Vasco já apresentaram provas de que o português está vivo e que nunca autorizou Ricardo André ou qualquer membro de seu grupo a negociar suas terras. A investigação agora foca em como essa quadrilha conseguiu operar por tanto tempo dentro de cartórios em Minas Gerais e no Distrito Federal para ludibriar o mercado imobiliário de Santarém.
OS CARTÓRIOS DA FRAUDE
— 1º Ofício de Notas de Montalvânia (MG): Local onde eram “fabricadas” as procurações falsas, muitas vezes usando nomes de falecidos.
— 4º Ofício de Notas do DF: Utilizado para lavrar substabelecimentos que davam aparência de legalidade à venda das terras em Santarém.
— O Crime: A similaridade é absoluta com o caso de Minas Gerais, onde a tabeliã de Montalvânia foi alvo de medidas cautelares por associação criminosa.
QUEM SÃO OS PREJUDICADOS?
— Moradores: 13 mil pessoas nos bairros Uruará e Área Verde com títulos de propriedade sob risco de anulação.
— Empresas: Multinacionais como a Atém e Embraps, que operam em áreas compradas da quadrilha.
— O proprietário: João Vasco Marques Pinto, que teve até o CPF falsificado pelo grupo criminoso.

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