Ibama identifica indícios de crime ambiental em mineradora próxima a terra indígena no Amazonas
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Ibama identifica indícios de crime ambiental em mineradora próxima a terra indígena no Amazonas

Órgão ambiental aponta possíveis irregularidades em área vizinha a território indígena e amplia preocupação com impactos socioambientais na região.

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Animais mortos foram encontrados pelos indígenas no rio Alalaú semanas após primeiras denúncias de poluição; mineradora nega relação entre suas operações e contaminação da água (Foto: Reprodução/ACWA)

Por Isabel Harari/Repórter Brasil

O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) aponta “indícios de ilícito ambiental” em uma área de mineração vizinha ao território dos Waimiri Atroari, no Amazonas. 

Entre abril e maio, indígenas afirmam ter encontrado animais mortos, como botos e tartarugas, nos rios que cortam a terra indígena. Eles suspeitam que os rejeitos das operações da Mineração Taboca, maior produtora de estanho refinado do Brasil, teriam poluído as águas dessa porção da Amazônia.

“As evidências visuais obtidas via sensoriamento remoto confirmam que a frente de lavra e a degradação ambiental associada avançam em direção ao limite imediato da TI Waimiri Atroari”, informa um documento enviado em 19 de maio ao MPF-AM (Ministério Público Federal no Amazonas), que investiga o caso.

Segundo relatos dos indígenas, grandes manchas de lama com “odor forte” e “coloração barrenta” teriam atingido, no início de abril, um igarapé que atravessa a área de mineração e deságua no Alalaú — o principal rio do território dos kinja, como são conhecidos os Waimiri Atroari. 

Semanas depois, dois botos, duas tartarugas e uma arraia foram encontrados mortos, como mostram registros fotográficos feitos pelos próprios indígenas. De acordo com os relatos dos kinja, não haveria sinais de ataques de predadores naturais. 

Um ofício enviado em 29 de abril pela Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) ao MPF-AM também chama atenção para o potencial impacto sobre os botos. 

“A morte de um mamífero aquático deste porte é um indicador biológico crítico de que a toxicidade e/ou a alteração física da água atingiu níveis insuportáveis para vida selvagem.” O documento alerta para a configuração de um “desastre ambiental de proporções severas”. 

Em nota, a assessoria de imprensa da Taboca afirmou que, até o momento, não havia sido formalmente notificada sobre novas diligências relacionadas ao procedimento no MPF-AM. A mineradora disse que “segundo conhecimento da empresa, não há relação causal ou técnica entre os fatos relatados e as suas operações” e reafirmou seu compromisso com a “colaboração integral com as autoridades para o completo esclarecimento dos fatos”. A íntegra da nota pode ser lido neste link.

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