A tragédia da Covid em Manaus: cinco anos de impunidade
Crise que matou pacientes por asfixia em 2021 volta ao debate com MPF e novo prazo pedido pela PF, enquanto a impunidade resiste.

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Cinco anos depois da crise do oxigênio que matou pacientes por asfixia em Manaus, na segunda onda da pandemia do coronavírus, a covid-19, o Brasil continua devendo uma resposta à altura da tragédia.
O colapso hospitalar ocorrido em janeiro de 2021 não foi um acidente, tampouco uma fatalidade imprevisível. Foi o resultado direto da inércia política, da negligência administrativa e da escolha deliberada do governo Bolsonaro de ignorar alertas, minimizar a pandemia e tratar vidas como dano colateral.
O retorno do tema à agenda pública, com a atuação do Ministério Público Federal no Amazonas e o novo pedido da Polícia Federal por mais prazo para investigar os crimes apontados pela CPI da covid, escancara um dado incômodo: o tempo passou, mas o Estado não se moveu com a urgência que a tragédia exigia.
Alertas ignorados, mortes evitáveis
Relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) anteciparam o risco de falta de oxigênio no Amazonas ainda antes do colapso.
Esses documentos só vieram a público porque o MPF precisou acionar a Justiça federal para obrigar o compartilhamento das informações.
Isso desmonta qualquer narrativa de surpresa. O governo Bolsonaro sabia.
Sabia do avanço da segunda onda, sabia da limitação logística da região Norte e sabia da dependência crítica do oxigênio hospitalar. Ainda assim, nada fez a tempo.
Bolsonaro, Pazuello e a política do abandono
À frente do Ministério da Saúde estava o general Eduardo Pazuello, escolhido por Bolsonaro não por experiência sanitária, mas por obediência política.
Vendido como especialista em logística e tratado como representante simbólico do Amazonas no governo federal, Pazuello não conseguiu garantir o insumo mais básico para manter pessoas vivas.
O fracasso não foi apenas técnico. Foi político.
Bolsonaro escolheu a omissão, estimulou o negacionismo, desautorizou a ciência e desmontou qualquer coordenação nacional de enfrentamento à pandemia.
O Amazonas pagou o preço mais alto.
CPI da covid e a demora que protege
A CPI da covid escancarou omissões, responsabilidades e possíveis crimes cometidos durante a pandemia.
Ainda assim, cinco anos depois, a Polícia Federal pede mais prazo para investigar aquilo que já foi amplamente documentado.
A morosidade não é neutra. O tempo protege os poderosos, desgasta a memória coletiva e empurra as vítimas para o esquecimento.
Cada pedido de prazo adicional reforça a sensação de que a engrenagem institucional trabalha para cansar quem cobra justiça.
A crise do oxigênio virou lembrança incômoda, evitada nos discursos oficiais e raramente enfrentada como ferida aberta.
A ausência de cobrança contínua contribuiu para a normalização do horror.
Quando a política silencia, a impunidade prospera.
Memória, Justiça e responsabilidade histórica
A atuação do MPF, ao retomar o debate e buscar reparação às vítimas, cumpre um papel que o Estado, como um todo, falhou em exercer: preservar a memória e exigir responsabilização.
Cinco anos depois, a crise do oxigênio no Amazonas permanece como símbolo máximo da falência moral e administrativa do governo Bolsonaro na pandemia.
Não se trata apenas de punir culpados, mas de afirmar um princípio básico: vidas perdidas por omissão do Estado não podem ser arquivadas pelo tempo.
Lição para sempre
A crise do oxigênio não foi tragédia natural: foi escolha política, sustentada pelo silêncio e pela impunidade.
Sobre a tragédia do oxigênio no Amazonas
- • Janeiro de 2021
- • Pacientes morreram por asfixia em hospitais de Manaus
- • Relatórios da Abin alertaram previamente sobre o risco
- • Ministro da Saúde à época: Eduardo Pazuello
- • Governo federal: Bolsonaro
- • Situação atual: MPF busca reparação; PF pede mais prazo para apurar crimes da CPI da covid